Uma sugestão musical
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Saiu no fim de Dezembro este maravilhoso disco, cuja compra recomendo vivamente.
São três peças de música erudita especialmente compostas para crianças. A famosa história do Pedro e do Lobo, musicada por Prokofiev. Conta a história de um menino, o Pedro, corajoso e aventureiro, que, contra as ordens do avô, resolve abrir a cancela do jardim e ir até ao lago junto ao bosque. Aí, na companhia de alguns amigos, será visitado por um feroz lobo! Mas Pedro, cheio de coragem e de inteligência, conseguirá vencê-lo.
Cada personagem do texto (Pedro, avô, gato, pato, passarinho, lobo e caçadores) é representada por um instrumento e por um melodia: o Pedro pelas cordas, o avô pelo fagote, o passarinho pela flauta, o lobo pela tuba, etc., etc.
A música é lindíssima, a história engraçada e os miúdos vão-se deixando encantar.
A narração da Catarina Furtado está excelente, cheia de vida, conjugando-se perfeitamente com o texto e a orquestra.
A segunda peça é o Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saens. Composto para divertir os amigos numa festa de Carnaval, trata-se de pequenas peças, cada uma representando um diferente animal. Especialmente bonita é a do cisne, tocado pelo violoncelo.
Pena não haver narração nesta obra, o que nos obriga a consultar a informação no cd para ver de que animal se trata.
Por último, o guia de orquestra para jovens de Benjamin Britten. Aqui, retoma-se a narração de Catarina Furtado, explicando os diversos grupos e instrumentos de uma orquestra. Verdadeiramente pedagógico, para além de muito bonito.
A destacar, a nossa maestrina Joana Carneiro numa condução perfeita (parece-me) da Orquestra Gulbenkian. Que bem que está a tocar a nossa Orquestra Gulbenkian. Não fica atrás das melhores do mundo!
É um CD a não perder, para miúdos e graúdos. Eu tenho-o no carro e os meus filhos já sabem tudo de cor!
Mais emocionais, mais complexas e mais belas
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Num blog feito por mulheres, não poderíamos deixar passar duas iniciativas culturais que lhes são inteiramente dedicadas.
Não que nos habite qualquer espírito femininista - longe disso! - mas porque há uma identidade muito nossa e uma história de só recente reconhecimento.
Se há algo que o fim do século XX trouxe e o XXI confirmou, é que a História deixará de ser coisa de homens para passar a ser obra de todos.
O primeiro destaque vai para um ópera estreada em Março, composta por uma mulher, cantada exclusivamente por uma mulher e dedicada à história de uma mulher.
A compositora é a finlandesa Kaija Saariaho, considerada uma das mais importantes compositadoras de música erudita da actualidade.
Deixo-vos esta pequena peça - não é fácil, mas é inovadora. Se se deixarem levar, vão gostar seguramente.
Saariaho compôs uma ópera sobre a vida de Émilie du Châtelet (1706-1749), uma mulher independente do século XVIII, que se dedicou à física e à matemática.
A única intérprete desta ópera é a mais conceituada soprano da actualidade, Karita Mattila, também ela finlandesa.
Três mulheres talentosas, inteligentes, independentes. E já agora, bonitas.
A ópera é uma encomenda conjunta da Opéra National de Lyon, do Barbican Centre (Londres) e da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi estreada em Março pela Nederlandse Opera em Amesterdão. Não se sabe se virá a Portugal. Esperamos que sim!
O segundo destaque vai para o filme de Abbas Kiarostami, «Shirin», onde o realizador iraniano mostra os rostos de uma centena de mulheres durante 1 hora e meia. As mulheres assistem a um filme sobre a história de Shirin, uma princesa arménia que se apaixonou por um rei persa. Uma tragédia amorosa, como não podia deixar de ser. Deste filme nada vemos, apenas assistimos quem assiste - as 114 mulheres/actrizes do filme de Kiarostami.
Este é o trailer:
O filme é algo perturbador e a mensagem que pretende transmitir não é inteiramente clara. Calculo que para a maioria das pessoas será idiota gastar tanto tempo a ver um bando de mulheres de lágrima no canto do olho. Para outros, há mensagens políticas, ligadas ao estatuto inferior ao homem que a mulher tem, ainda, no Irão.
Mas para mim, esta sequência de imagens representa a sensibilidade feminina, o sentimento acima de tudo, a capacidade de nos emocionarmos com as coisas bonitas da vida sem receio de o demonstrar. Pieguice, dirão os homens. Sensibilidade (e bom senso), como disse há muito Jane Austen e nos ficou no memória.
Nas palavras de Kiarostami: "a minha impressão é que as mulheres são, em geral, não apenas no Irão, mais emocionais, mais complexas e mais belas." Read more...
Viva o bom gosto!
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Frequento a Gulbenkian há muitos, muitos anos e nunca tinha visto a plateia inteira em pé a aplaudir.
Aconteceu no dia 17 de Abril, no concerto comentado dirigido às famílias (maiores de 6) e intitulado «A tentação do jazz».
Com a orquestra Gulbenkian tocou Mário Laginha e um grupo de músicos do Hot Club de Portugal.
O concerto consistiu em três peças. A primeira, de Gunther Schuller (de quem nunca tinha ouvido falar), consistia numa história de um miúdo (o Eddie) que, trompetista desde pequeno, aprendeu com alguns percalços o que era o jazz. A história foi contada por Alexandre Delgado (o comentador de serviço) e tocada com alegria pela orquestra e pelos músicos de jazz (trompete, saxofone, contrabaixo e bateria).
Muito divertida e cativante. Não houve miúdo (e a plateia estava recheada deles) que tirasse os olhos e os ouvidos do palco.
Seguiu-se a conhecidíssima peça de George Gershwin, Rhapsody in Blue, divinalmente tocada por Mário Laginha e pela Orquestra Gulbenkian.
Um concerto alegre, festejando a música, tirando dela uma felicidade quase impossível.
Festival de Música de Sintra 2010 - onde está o programa?
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Entre os dias 28 de Maio e 4 de Julho realiza-se a 45ª Edição do Festival de Música de Sintra.
O Festival de Música de Sintra teve a sua primeira edição em 1957, tendo-se mantido como uma referência de bom gosto e originalidade na divulgação da música erudita em Portugal.
Conciliar a música de qualidade com os mais belos cenários de Portugal é realmente uma ideia brilhante, o bom gosto e a qualidade estética em uníssono.
A ideia terá sido da Marquesa do Cadaval, Olga Maria Nicolis di Robillant Álvares Pereira de Melo, ilustríssima figura da nossa vila.
Muitos artistas de craveira mundial foram trazidos ao nosso país por sua iniciativa pessoal, rasgando novos horizontes à cultura portuguesa – Mstislav Rostropovitch e Nikita Magaloff foram apenas dois exemplos entre tantos outros – e a sua figura tutelar manteve-se assim, durante décadas, como um apelo constante ao máximo empenho de todos na manutenção desse elevado padrão de exigência.”
A Marquesa morreu em 1996 e Sintra reconhecida deu o seu nome ao Centro Cultural, inaugurado em 2000.
Quando falo do Festival, ocorrem-me algumas memórias de miúda, imagens e sons que ficaram vivos após tantos anos. São recordações que revivo com a ajuda dos meus pais, que sempre me levavam consigo nestas deambulações culturais.
Lembro-me, por exemplo, de um concerto na Quinta de Piedade, propriedade da Marquesa. Julgo que era piano e orquestra, mas não recordo mais pormenores. Era adolescente, teria entre os 14 e15 anos. Embora tão longe, revivo perfeitamente a sensação de os passarinhos serem parte da orquestra.
Eis a recordação do meu Pai: "O mais característico dos Concertos era o da Quinta da Piedade, da Marquesa do Cadaval – com a presença da própria Marquesa ainda bem viva (uma mecenas das artes que vivia habitualmente em Veneza!) e com a filha que, com a sua vontade férrea, comandava o acontecimento."
Lembro ainda um concerto de Chopin na Quinta do Vinagre, com dois pianos, um deles, tocado por Sequeira Costa. Foi um fim de tarde, estava aquele friozinho característico de Sintra. Era miúda, confesso que o tempo demorou a passar. No intervalo passeou-se no jardim, junto ao Rio das Maçãs, onde a água continuava a cantar. Era uma oportunidade para conhecermos por dentro a fabulosa Quinta do Vinagre,com aquele esplendor do requinte sóbrio entranhado na natureza e na ruralidade.
(foto da Junta de Freguesia de Colares)
Inesquecíveis eram também os ballets em Seteais. Com o deslumbre do palácio como cenário, as peças românticas de Tchaikovsky ganhavam outro realismo.
Acessório absolutamente necessário era uma manta bem quentinha, sob pena de os pés e as mãos congelarem. Lembro-me de um ano em que os bailarinos tinham dificuldade em executar os passos por o palco estar húmido. Era notório que escorregavam. Mas era tão bonito...
Mais recentemente – o ano passado – assisti a um bailado (Maiorca) da companhia Paulo Ribeiro com os Prelúdios de Chopin tocados por Pedro Burmester. Foi uma estreia no Centro Cultural Olga Cadaval, um espectáculo visualmente muitíssimo interessante e que está em digressão nacional deste então.
A partir da edição de 2006, o Festival passou também a contar com a vertente Contrapontos, dirigida a um público diferente, contendo ofertas culturais diversificadas, a preços mais acessíveis.
Tudo isto nos deixa água na boca para a edição deste ano do Festival de Sintra. Como disse inicialmente, inicia-se a 28 de Maio e há um site a ele dedicado: http://www.festivaldesintra.pt/
Mas o site nada tem! Diz «programação a apresentar em breve» e limita-se a umas fotos que vão rodando.
O Chá de Sintra interroga-se sobre esta deficiente programação e divulgação de um marco cultural da Vila de Sintra.
Note-se bem: a 20 dias do início do Festival, o programa é desconhecido. Como é que se justifica esta ausência?
O ano passado foi notória, em alguns espectáculos, a falta de público. Mas, assim, é natural... Read more...
5ºAniversário da Casa da Música
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O Chá de Sintra gostou de andar por lá...
O Melhor Teatro de Sempre do "Nosso Colégio"
sábado, 3 de abril de 2010
No colégio dos nossos filhos, todos os anos se organiza uma festa de Natal com uma pecinha de teatro em que os actores são os pais. Somos nós que actuamos para os nossos filhos!
Lúcia menina e a sua linda boneca...
Esta modalidade, que foge um pouco ao que se pratica noutras escolas, permite uma interacção muito maior com o colégio, cria alguma cumplicidade entre pais, e entre pais e todos os intervenientes... Somos uma grande família. São momentos únicos de partilha e de muito, muito divertimento, que perdura ao longo de mês e meio de ensaios! E acima de tudo, as crianças adoooooram!!!
E este ano não foi excepção. Apenas mudou a altura do ano em que se realizou o teatro. Passou do Natal para a apelidada, e muito bem, Festa da Primavera.

Uma adaptação das Crónicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa, de Clive Staples.
A terrível feiticeira, a fantástica avó Naiete...
Estávamos todos tão contentes - famosos actores, crianças, famílias, educadoras e diretores... Fazer teatro para os nossos filhos é hilariante!


















