Edzer de Benvindo Fonseca
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Uma sugestão musical
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Saiu no fim de Dezembro este maravilhoso disco, cuja compra recomendo vivamente.
São três peças de música erudita especialmente compostas para crianças. A famosa história do Pedro e do Lobo, musicada por Prokofiev. Conta a história de um menino, o Pedro, corajoso e aventureiro, que, contra as ordens do avô, resolve abrir a cancela do jardim e ir até ao lago junto ao bosque. Aí, na companhia de alguns amigos, será visitado por um feroz lobo! Mas Pedro, cheio de coragem e de inteligência, conseguirá vencê-lo.
Cada personagem do texto (Pedro, avô, gato, pato, passarinho, lobo e caçadores) é representada por um instrumento e por um melodia: o Pedro pelas cordas, o avô pelo fagote, o passarinho pela flauta, o lobo pela tuba, etc., etc.
A música é lindíssima, a história engraçada e os miúdos vão-se deixando encantar.
A narração da Catarina Furtado está excelente, cheia de vida, conjugando-se perfeitamente com o texto e a orquestra.
A segunda peça é o Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saens. Composto para divertir os amigos numa festa de Carnaval, trata-se de pequenas peças, cada uma representando um diferente animal. Especialmente bonita é a do cisne, tocado pelo violoncelo.
Pena não haver narração nesta obra, o que nos obriga a consultar a informação no cd para ver de que animal se trata.
Por último, o guia de orquestra para jovens de Benjamin Britten. Aqui, retoma-se a narração de Catarina Furtado, explicando os diversos grupos e instrumentos de uma orquestra. Verdadeiramente pedagógico, para além de muito bonito.
A destacar, a nossa maestrina Joana Carneiro numa condução perfeita (parece-me) da Orquestra Gulbenkian. Que bem que está a tocar a nossa Orquestra Gulbenkian. Não fica atrás das melhores do mundo!
É um CD a não perder, para miúdos e graúdos. Eu tenho-o no carro e os meus filhos já sabem tudo de cor!
Sugestões para o Festival de Sintra
sábado, 5 de junho de 2010
O Festival de Sintra já decorre. Não resistimos a fazer aqui algumas sugestões, ainda que com algum atraso, de que pedimos desculpa aos nossos leitores.
O programa completo não está no site do Festival, sendo necessário consultar um panfleto em papel. Obtive o meu no Centro Cultural Olga Cadaval.
O programa está dividido em três grandes áreas: música, dança e contrapontos.
Na música, pretendeu-se comemorar o bicentenário do nascimento de Schumann e de Chopin.
Os recitais são dedicados quase em exclusivo a estes dois compositores românticos. E na romântica Sintra esta homenagem faz todo o sentido.
A título pessoal, prefiro música do século XX e parece-me que se adequa perfeitamente a Sintra, mas percebo a opção. Também é verdade que o Festival começou com Prokofiev, compositor do séc.XX,http://pt.wikipedia.org/wiki/Prokofiev
De entre estes recitais, parece-me que uma boa opção será o concerto já no próximo sábado, dia 5, no Palácio de Queluz. Aqui estará, para além do piano a cargo de António Rosado (pianista português de referência), o coro Gulbenkian dirigido por Fernando Eldoro. Interpretarão diversas peças para piano e piano e coro de Robert Schumann.
Para quem preferir desfrutar da magnífica paisagem de Sintra, sugiro o concerto do domingo pelas 17h na Quinta da Piedade. Aqui se ouvirá, em simultâneo com o chilrear típico do pôr-do-sol, Nelson Goerner (pianista argentino), tocando Chopin e Schumann.
À mesma hora, mas no sábado seguinte (dia 12), poderão ouvir-se algumas canções (lieder) de Schumann, agora na Regaleira. A Regaleira está também lindíssima. Não sei onde será o concerto, mas seguramente terá um fabuloso cenário.
Para quem referir música «cantada», esta opção é também boa.
Uma quarta sugestão será o concerto do Ensemble Mediterrain (clarinete, viola, violoncelo e piano) no dia 27 de Junho no Palácio Nacional de Sintra, pelas 19h. Mais uma vez, o programa é Chopin e Schumann, mas aqui varia-se um pouco do piano solo, com trios incluindo os outros instrumentos.
Ainda no âmbito da música, o festival contém, na vertente contrapontos, música sacra e uma gala de ópera. A primeira terá lugar na Igreja de S. Martinho, no dia 11 de Junho, pelas 21h30m. Ouvir-se-ão obras do séc. XVIII.
A Gala de Ópera estará a cargo da Orquestra Sinfónica e coro da Companhia Portuguesa de Ópera. De acordo com o programa, serão apresentados trechos de óperas famosas, assim como momentos divertidos de opereta e canção conhecidos de todos. Adivinha-se muito Verdi (Traviatta, Trovador, Aida), a Carmen de Bizet (a mais popular e a minha preferida), etc., etc..
Será no dia 3 de Julho, pelas 21h30m, no Largo Rainha D. Amélia, em frente ao Palácio Nacional, em pleno centro da vila.
Pessoalmente, cansei-me de ópera há uns bons anos. Quando era miúda,adorava. Devo ter ouvido a Traviatta centenas de vezes...ainda hoje sei de cor as letras das árias. Mas agora, perturba-me o excesso que a ópera representa. Com tanta representação, cenário, luz, cantores, guarda-roupa, história e legendas, parece-me impossível ouvir a música. O ano passado vi no S. Carlos a Elektra de Richard Strauss e não consegui, de todo, prestar atenção à música. Prefiro-a bem pura.
Ainda assim, parece-me que será um espectáculo bem interessante, pelo local e conteúdo. Porá com certeza as pessoas bem dispostas e a trautear músicas bonitas. Suponho que seja esta a razão para este espectáculo estar na vertente contrapontos. Pelo preço não é seguramente.
O Festival apresenta-nos, ainda, uma ópera – agora em versão integral – nos dias 2 e 4 de Julho, também no Largo Rainha D. Amélia, em frente ao Palácio. Trata-se da ópera de Donizetti, o Elixir do Amor. Agora tenho de confessar que não conheço esta ópera. Foi estreada em 1832, pelo que será romântica.
Para terminar, sugestões para crianças. É de louvar a existência de iniciativas específicas para os mais novos. É uma regra que se tem estabelecido nos programas culturais. Como é evidente, é óptimo para graúdos e miúdos.
Já este fim-de-semana há cinema infantil no Centro Cultural Olga Cadaval, pelas 16h. Serão visionados onze pequenos filmes de animação, por ocasião do dia mundial da criança.
Também no Olga Cadaval, irá a cena a ópera infantil de Claude-Henry Joubert, intitulada Tutti Fan Frutti, que conta a história de um concurso de televisão em que se procura um novo Mozart. Será um Ídolos mais erudito…É no dia 13 de Junho, pelas 16h, e tem direcção musical de Tiago Marques.
No dia 20 de Junho, há concerto para bebés na Quinta da Piedade, pelas 10h e pelas 11h30m. O concerto explorará a sonoridade própria da guitarra portuguesa.
A destacar mais dois eventos para os mais jovens. O concerto dos violinhos, jovens violinistas dos 3 aos 17 anos, que tocarão música de várias épocas e origens. No dia 27 de Junho, pelas 16h (Olga Cadaval).
Por último, a ópera infantil inspirado no conto de Sofia Mello Breyner Andersen, o Rapaz de Bronze, produzido inteiramente pelo Conservatório de Música de Sintra. No dia 4 de Julho, no Olga Cadaval, pelas 16h, será a minha vez de ouvir os meus filhos cantar!
Acho muito bem que as instituições do concelho sejam incluídas e privilegiadas em organizações locais. É uma oportunidade de se dar a conhecer e um estímulo extra para realizar um bom trabalho.
Muito mais haveria a destacar do programa do Festival. Chegou tarde, mas é um bom programa. Que claramente tenta – em tempos de crise e provavelmente com um orçamento reduzido – dar aos amantes de Sintra e da música, momentos inesquecíveis.
Obrigada aos responsáveis pela sua organização. Desejamos-lhes e ao Festival os maiores sucessos! Read more...
Festival de Música de Sintra 2010 - onde está o programa?
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Entre os dias 28 de Maio e 4 de Julho realiza-se a 45ª Edição do Festival de Música de Sintra.
O Festival de Música de Sintra teve a sua primeira edição em 1957, tendo-se mantido como uma referência de bom gosto e originalidade na divulgação da música erudita em Portugal.
Conciliar a música de qualidade com os mais belos cenários de Portugal é realmente uma ideia brilhante, o bom gosto e a qualidade estética em uníssono.
A ideia terá sido da Marquesa do Cadaval, Olga Maria Nicolis di Robillant Álvares Pereira de Melo, ilustríssima figura da nossa vila.
Muitos artistas de craveira mundial foram trazidos ao nosso país por sua iniciativa pessoal, rasgando novos horizontes à cultura portuguesa – Mstislav Rostropovitch e Nikita Magaloff foram apenas dois exemplos entre tantos outros – e a sua figura tutelar manteve-se assim, durante décadas, como um apelo constante ao máximo empenho de todos na manutenção desse elevado padrão de exigência.”
A Marquesa morreu em 1996 e Sintra reconhecida deu o seu nome ao Centro Cultural, inaugurado em 2000.
Quando falo do Festival, ocorrem-me algumas memórias de miúda, imagens e sons que ficaram vivos após tantos anos. São recordações que revivo com a ajuda dos meus pais, que sempre me levavam consigo nestas deambulações culturais.
Lembro-me, por exemplo, de um concerto na Quinta de Piedade, propriedade da Marquesa. Julgo que era piano e orquestra, mas não recordo mais pormenores. Era adolescente, teria entre os 14 e15 anos. Embora tão longe, revivo perfeitamente a sensação de os passarinhos serem parte da orquestra.
Eis a recordação do meu Pai: "O mais característico dos Concertos era o da Quinta da Piedade, da Marquesa do Cadaval – com a presença da própria Marquesa ainda bem viva (uma mecenas das artes que vivia habitualmente em Veneza!) e com a filha que, com a sua vontade férrea, comandava o acontecimento."
Lembro ainda um concerto de Chopin na Quinta do Vinagre, com dois pianos, um deles, tocado por Sequeira Costa. Foi um fim de tarde, estava aquele friozinho característico de Sintra. Era miúda, confesso que o tempo demorou a passar. No intervalo passeou-se no jardim, junto ao Rio das Maçãs, onde a água continuava a cantar. Era uma oportunidade para conhecermos por dentro a fabulosa Quinta do Vinagre,com aquele esplendor do requinte sóbrio entranhado na natureza e na ruralidade.
(foto da Junta de Freguesia de Colares)
Inesquecíveis eram também os ballets em Seteais. Com o deslumbre do palácio como cenário, as peças românticas de Tchaikovsky ganhavam outro realismo.
Acessório absolutamente necessário era uma manta bem quentinha, sob pena de os pés e as mãos congelarem. Lembro-me de um ano em que os bailarinos tinham dificuldade em executar os passos por o palco estar húmido. Era notório que escorregavam. Mas era tão bonito...
Mais recentemente – o ano passado – assisti a um bailado (Maiorca) da companhia Paulo Ribeiro com os Prelúdios de Chopin tocados por Pedro Burmester. Foi uma estreia no Centro Cultural Olga Cadaval, um espectáculo visualmente muitíssimo interessante e que está em digressão nacional deste então.
A partir da edição de 2006, o Festival passou também a contar com a vertente Contrapontos, dirigida a um público diferente, contendo ofertas culturais diversificadas, a preços mais acessíveis.
Tudo isto nos deixa água na boca para a edição deste ano do Festival de Sintra. Como disse inicialmente, inicia-se a 28 de Maio e há um site a ele dedicado: http://www.festivaldesintra.pt/
Mas o site nada tem! Diz «programação a apresentar em breve» e limita-se a umas fotos que vão rodando.
O Chá de Sintra interroga-se sobre esta deficiente programação e divulgação de um marco cultural da Vila de Sintra.
Note-se bem: a 20 dias do início do Festival, o programa é desconhecido. Como é que se justifica esta ausência?
O ano passado foi notória, em alguns espectáculos, a falta de público. Mas, assim, é natural... Read more...
Adoro a Primavera
terça-feira, 27 de abril de 2010
(o que deve ser difícil é não escrever poesia num sítio destes).
Eis a magnífica passagem n’ A Sétima Elegia sobre a Primavera:
“Oh! e a Primavera compreenderia -, não há recanto
a que não chegue o som da anunciação. Primeiro aquele
breve articular interrogativo, que no crescente silêncio,
um puro dia de afirmação vastamente envolve na sua mudez.
Depois subir degraus, os degraus do apelo, até ao sonhado
templo do futuro-; depois o gorjeio, fonte
que antecipa o jacto em ascensão
num jogo de promessas…”
Por coincidência (ou não) comprei a semana passada a Sagração da Primavera de Igor Stravinsky. É um bailado escrito por esta altura também, no início do sec. XX, estreado aliás em Paris em 1913, onde provocou um enorme escândalo na audiência conservadora do Teatro dos Campos Elísios. Tanto assim foi que passados meros 5m o caos instalou-se na plateia, impedindo os músicos e bailarinos de continuar. Engraçado imaginar uma cena destas num palco actual.
Hoje é um marco da música erudita e ninguém duvida da sua genialidade.
Devo confessar que é uma música que me fascina, como poucas outras. Tenho a sensação de estar num bosque com pássaros, veados, animais de toda a espécie, caçadores, trovões, brisas suaves. A natureza no seu esplendor, nascendo, renascendo, caótica, magnifica. Em simultâneo ameaçadora e deslumbrante.
(Bem sei que a história do bailado não é propriamente esta, mas outra, mas é de sensações pessoais, claro, que falo).
Lembro-me, quando mudei de Lisboa para Sintra, que uma das diferenças mais avassaladoras é o silêncio. O barulho da cidade é ensurdecedor, é puro ruído. Em Sintra aprendi verdadeiramente a ouvir – no silêncio.
E para terminar com o silêncio ensurdecedor da natureza, deixo umas fotos do meu jardim, a renascer nesta belíssima Primavera.
5ºAniversário da Casa da Música
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O Chá de Sintra gostou de andar por lá...











