Um Pequeno País de Grandes Feitos!

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Verão chegou ontem e ontem foi também o dia mais longo do ano. Por isso, hoje tinha decidido falar de praia. Mas como falar de praia, assunto desprovido de qualquer relevância para as nossas vidas, quando comparado com a festa em que o país mergulhou e navegou? Ontem, foi o dia dos SETE! O número de golos com que a nossa fantástica selecção despachou para casa os pobres jogadores coreanos, orientados por um seleccionador que tinha achado o primeiro jogo dos portugueses, “um grande aborrecimento”. Ora, pois, só quem não nos conheça mesmo… podemos ser muitas coisas, como melancólicos, saudosistas, ou mesmo, descrentes e maldizentes, mas aborrecidos? O resultado está à vista e se há coisa que não se pode negar é que o jogo de ontem foi uma animada festa, um enorme divertimento, daqueles a que nem estamos habituados. Eu falo por mim, pois entre os festejos de tanto golo até tive algumas dificuldades em tomar o cafezito que se passeava na chávena. Tenho uma amiga que até já achava demais, chegou a ter pena dos coreanos e a manifestar preocupação com o que os aguardará à chegada…Mas isso não nos diz respeito, o que interessa é que foram sete golos e larguíssimos minutos de alegria! Repararam bem naquele golo do nosso Cristiano? O mundo viu como a bola deslizou por entre as costas e a cabeça do rapaz? Pensam que isso aconteceria em qualquer outra cabeça? Claro que não! Nem em 10 mundiais, o Messi conseguiria semelhante proeza!







Mas os sete golos com que brindámos os coreanos, e que à noite já eram para aí uns trezentos, tantas as vezes que foram repetidos nas nossas televisões, trouxeram-nos alguns incómodos.
É que os golos foram marcados por aquele grupo de rapazes que não foi lá fazer nada, à África do Sul, entenda-se, e que são orientados por aquele “professorzeco” que nada percebe de futebol. Também, aqui para nós, não lembraria ao diabo, ir buscar um professor para treinar a nossa selecção! Ainda para mais, logo a seguir àquele santo popular, o Scolari. Aquele que depois de ter pedido para estenderem e desfraldarem as bandeirinhas, ficou a um passo da beatificação. Ainda hoje estou convencida que a mesma só não ocorreu, porque o homem, para além de não ser burro, também não era de ferro, e quando as coisas não corriam bem, em vez de falar de talas e do estado da relva, acertava um soco aqui e uma chapada acolá, bem mais ao jeito português! Tinha ao seu dispor a melhor selecção dos últimos tempos, mas nunca ganhou nada! A sorte do professor é que os gregos já foram para casa, porque se perdesse um jogo com eles, quase que o aconselhava a voltar, mas com os coreanos! Mas o São Scolari tinha fé! Nas horas vagas, rezava e pedia à Nossa Senhora do Caravaggio, certamente prima da nossa Fátima, para que os rapazes não o deixassem mal visto. E quer queiramos, quer não, isso traduzia-se numa grande sintonia com a maioria dos fervorosos adeptos, que sempre acaba por achar que quando Portugal não ganha, Deus só pode estar de férias ou a castigar-nos pelas malfeitorias dos nossos governantes. Ultimamente, Deus tem mais outra forte razão para nos castigar: fomos buscar o Carlos Queiroz.





Bem, dizia eu, que os golos também nos trouxeram incómodos. Esta sim, é uma sina muito nossa, nunca conseguimos usufruir das coisas na sua plenitude! Pois é, imaginem o dilema de todos aqueles, e são muitos, entre jornalistas, comentadores, “opinadores”, treinadores de bancada e mesmo de banco, que até hoje não conseguiram conter a discordância, o fel, a dor de cotovelo, ou mesmo a frustração por não terem uma profissão bem sucedida ou tão fantástica como esta, em que só tem de se adivinhar a melhor forma de os rapazes acertarem na baliza. Ainda por cima, muito bem paga e sempre se aparece todos os dias na televisão.
Quanto mais penso neles, e são tantos, mais me pareço com o seleccionador coreano! É que sinto um aborrecimento… coitados, como vão eles conseguir organizar o discurso que há meses lhes sai tão fluente? Vistas as coisas, não sei se este foi um bom resultado para o país. E muito menos para o Professor. É que, a partir de agora, aqueles “malandros que não se esforçam nem correm”, e quando o fazem é à frente e não atrás da bola, mal orientados e pouco disciplinados por um homem que não reza a virgem nenhuma, são os maiores! Ah, pois é! Quando querem, são os maiores! Ninguém já tem dúvidas sobre quem leva a taça! Ai deles que não sejam os últimos a chegar, com a tacinha na mão!
Quem, até hoje, conseguiu ficar na história de um campeonato do mundo, e logo de futebol, por ter enfiado sete vezes a bolinha na baliza? Além de nós? Ninguém, claro! Os grandes feitos são nossos! País pequeno, mas de grandes feitos!

1 comentários:

Pedro 23 de junho de 2010 às 18:19  

bom, os sete já lá vão, que venham mais sete!!

...e a praia? Essa areia que ali está à milhares de anos e que pisamos sem pensar o que seria antes.
A mesma areia que falta na praia grande, e que vai tornar este verão, uma altura de aproximação corporal, digamos.
Aguardamos reportagem, com directos do areal e especialistas no assunto!

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